Nos últimos anos, o TAVI ganhou visibilidade como uma alternativa menos invasiva à cirurgia cardíaca convencional. No entanto, nem todo paciente com estenose aórtica é candidato a esse procedimento.
O que é o TAVI?
TAVI (do inglês Transcatheter Aortic Valve Implantation) é o implante transcateter de uma prótese na posição da válvula aórtica. O procedimento substitui a válvula doente por uma bioprótese, geralmente por via femoral, sem necessidade de cirurgia com abertura do tórax ou circulação extracorpórea.
É indicado principalmente para tratar a estenose aórtica grave, uma condição em que a válvula aórtica se estreita e dificulta a saída do sangue do coração para o corpo.
Diferentes próteses utilizadas para a realização da TAVI
Quem é o paciente ideal para o TAVI?
Inicialmente reservado a pacientes com alto risco cirúrgico, o TAVI hoje é considerado também para indivíduos com risco intermediário e, em situações selecionadas, até para alguns pacientes de baixo risco cirúrgico.
Contudo, a idade mínima geralmente considerada é ao redor de 65 anos. Isso se deve à durabilidade limitada das próteses biológicas e à natureza menos invasiva do procedimento, que não permite reparos ou reoperações com a mesma facilidade da cirurgia.
Portanto, pacientes mais jovens, mesmo com estenose aórtica grave, continuam sendo preferencialmente candidatos à cirurgia convencional. Essa escolha é baseada em durabilidade, possibilidade de reintervenção futura e anatomia favorável à plástica ou troca cirúrgica.
Como é feito a TAVI?
Por meio de um cateter, na maior parte dos casos inserido na artéria femoral do paciente, a nova válvula é posicionada sobre a válvula doente, que é “espremida” contra a parede da aorta. Existem diferentes tipos de prótese que podem ser utilizadas para realização da TAVI, selecionadas conforme as características anatômicas do paciente.
Quais são os benefícios?
• Procedimento menos invasivo
• Recuperação mais rápida
• Menor tempo de internação
• Menor risco de complicações infecciosas ou sangramentos importantes
• Ideal para pacientes frágeis ou com múltiplas comorbidades
Como é o preparo para o TAVI?
Antes do procedimento, o paciente é avaliado por um Heart Team, que inclui cardiologista clínico, hemodinamicista, cirurgião cardíaco e, quando necessário, geriatra e anestesista.
Exames fundamentais incluem:
• Ecocardiograma transtorácico e transesofágico
• Tomografia computadorizada de tórax e aorta
• Avaliação funcional e de fragilidade
• Exames laboratoriais e risco cirúrgico (STS e EuroSCORE II)
Essa avaliação define não apenas a viabilidade técnica do TAVI, mas também se ele é, de fato, o melhor tratamento para aquele paciente específico.
Quais são os riscos?
Apesar de seguro na maioria dos casos, o TAVI pode ter complicações:
• Necessidade de marca-passo definitivo (principalmente com próteses autoexpansíveis)
• Vazamentos paravalvares
• AVC e eventos embólicos
• Complicações vasculares
• Disfunção precoce da prótese
• Endocardite
A escolha adequada do paciente e da prótese reduz significativamente esses riscos.
E o pós-TAVI?
A maioria dos pacientes tem alta hospitalar em 2 a 5 dias. O retorno às atividades cotidianas é geralmente rápido, mas o acompanhamento com o cardiologista é fundamental.
O uso de medicações antiplaquetárias ou anticoagulantes pode ser necessário, e o controle clínico regular com ecocardiograma é essencial para monitorar a função da prótese e a evolução clínica.
Nem todo paciente com estenose aórtica deve fazer TAVI
É cada vez mais comum encontrar pacientes que chegam ao consultório pedindo o TAVI como se fosse uma “opção automática”. Isso é compreensível, mas é nosso papel esclarecer que o melhor tratamento é aquele que respeita a anatomia, o risco cirúrgico, a idade e as perspectivas de longo prazo.
Em muitos casos — especialmente em pacientes mais jovens ou com anatomia desfavorável ao TAVI — a cirurgia ainda é a opção com melhor custo-benefício, maior durabilidade e menor risco de reintervenções.
Conclusão
O TAVI é um marco na cardiologia moderna e tem transformado a vida de muitos pacientes. No entanto, não substitui a cirurgia em todos os casos. A escolha do tratamento ideal deve sempre ser feita com responsabilidade, baseada em evidências, e com avaliação cuidadosa por uma equipe experiente.
Se você tem diagnóstico de estenose aórtica ou precisa decidir entre TAVI e cirurgia convencional, agende sua consulta para avaliação
individualizada.
Cardiologista com formação pelo InCor-FMUSP, UNIFESP, Dante Pazzanese e UFBA.
Atua com foco em doenças valvares, cardiologia geral e casos complexos no InCor e no Hospital Albert Einstein.
Acredito em decisões médicas construídas com escuta, clareza e respeito — para que o paciente participe ativamente do próprio cuidado.
Dr. Marcelo Kirschbaum
Cardiologista com formação pelo InCor-FMUSP, UNIFESP, Dante Pazzanese e UFBA.
Atua com foco em doenças valvares, cardiologia geral e casos complexos no InCor e no Hospital Albert Einstein.
Acredito em decisões médicas construídas com escuta, clareza e respeito — para que o paciente participe ativamente do próprio cuidado.
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Graduação em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Residência em Clínica Médica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Residência em Cardiologia pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia
Especialização em Doenças das Válvulas Cardíacas pelo Instituto do Coração (InCor) da FMUSP
Título de Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e AMB
Médico da Unidade Clínica de Valvopatias do InCor-FMUSP
Atuação em ensino, pesquisa e cuidado direto de pacientes com doenças valvares
Corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein
Atendimento em pronto-socorro, internações e consultório ambulatorial
Atuação em duas unidades: Morumbi e Jardim Everest
Experiência com casos clínicos complexos, críticos e não críticos
Foco em segurança, precisão diagnóstica e acompanhamento longitudinal
Atenção especial à escuta ativa e construção conjunta das decisões de tratamento